Sakoku: o país fechado dos Tokugawa

Sakoku (鎖国, "país acorrentado") é o nome dado à política do xogunato Tokugawa que, de 1639 a 1854, proibiu a entrada de portugueses e espanhóis, proibiu os japoneses de sair do país sob pena de morte e restringiu o comércio europeu aos holandeses, confinados na pequena ilha de Dejima, em Nagasaki. O Japão não estava totalmente fechado: mantinha contatos controlados com a China, a Coreia, o reino de Ryukyu e os ainu.

Período
1639 a 1854
Termo
sakoku (鎖国), país acorrentado
Origem do termo
1801, tradução de Shizuki Tadao
Única porta europeia
Dejima, Nagasaki (holandeses)
Fim
Tratado de Kanagawa, 31 de março de 1854
Pena para quem saísse do país
morte
Nesta página
  1. Os éditos de isolamento
  2. Por que o Japão se fechou
  3. As quatro portas
  4. Dejima e os holandeses
  5. O fim do isolamento
  6. Onde ver hoje
  7. Perguntas frequentes

Os éditos de isolamento

A política foi construída em etapas, sobretudo pelo terceiro xogum, Tokugawa Iemitsu (1623–1651):

AnoMedida
1612–1614Proibição do cristianismo, primeiro nos domínios do xogum, depois em todo o país
1616Navios europeus limitados a Nagasaki e Hirado
1624Ruptura com a Espanha (Filipinas)
1633Proibição de viagens ao exterior sem licença especial
1635Proibição total de saída e de retorno de japoneses do exterior
1636Portugueses confinados em Dejima; mestiços expulsos
1639Proibição dos navios portugueses
1641Holandeses transferidos de Hirado para Dejima

O gatilho final foi a Rebelião de Shimabara (1637–1638), em que cerca de 37 mil camponeses, muitos cristãos, resistiram no castelo de Hara até serem massacrados. O xogunato culpou a influência estrangeira, e em 1639 expulsou os portugueses.

Por que o Japão se fechou

  • Medo do cristianismo: a lealdade ao Deus cristão e ao papa era vista como ameaça à autoridade do xogum. As conquistas espanholas nas Américas e nas Filipinas alimentavam o temor de invasão.
  • **Controle dos daimyo**: o comércio exterior enriquecia senhores de Kyushu; centralizá-lo em Nagasaki, sob o xogum, evitava rivais.
  • Ordem interna: o regime valorizava estabilidade acima de tudo — veja xogunato.

Os cristãos que permaneceram foram perseguidos. Autoridades obrigavam as pessoas a pisar em imagens sagradas (fumie) e todos tinham de se registrar num templo budista. Comunidades de "cristãos ocultos" (kakure kirishitan) mantiveram a fé em segredo por mais de dois séculos.

As quatro portas

Os historiadores atuais preferem falar em comércio controlado do que em isolamento absoluto:

  1. Nagasaki: holandeses em Dejima e chineses no bairro murado Tojin Yashiki (a partir de 1689), sob controle direto do xogunato.
  2. Tsushima: o clã So fazia o comércio e a diplomacia com a Coreia; embaixadas coreanas visitaram Edo 12 vezes entre 1607 e 1811.
  3. Satsuma: o clã Shimazu dominava o reino de Ryukyu (Okinawa) desde 1609 e, por meio dele, comerciava com a China.
  4. Matsumae: no sul de Hokkaido, comerciava com os ainu.

Dejima e os holandeses

Dejima era uma ilha artificial em forma de leque, com cerca de 120 por 75 metros, ligada à cidade por uma ponte vigiada. A Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) pagava aluguel e recebia geralmente poucos navios por ano. O chefe do entreposto viajava a Edo para homenagear o xogum, mais de 160 vezes ao longo do período.

Por Dejima entravam livros e notícias do mundo. O estudo da ciência ocidental em holandês, o rangaku (蘭学), floresceu depois que o xogum Yoshimune liberou livros não religiosos em 1720. Em 1774, Sugita Genpaku publicou o Kaitai Shinsho, tradução de um atlas de anatomia. Médicos como o alemão Philipp Franz von Siebold, que serviu em Dejima a partir de 1823, formaram discípulos japoneses.

A palavra sakoku só apareceu em 1801, quando o intérprete Shizuki Tadao traduziu um texto do alemão Engelbert Kaempfer, médico de Dejima no fim do século XVII.

O fim do isolamento

No século XIX, navios russos, britânicos e americanos passaram a aparecer na costa. Em 1825 o xogunato mandou atirar em qualquer navio estrangeiro, ordem suavizada em 1842 após a derrota da China na Guerra do Ópio. Em 8 de julho de 1853 o comodoro americano Matthew Perry chegou a Uraga com quatro navios e exigiu a abertura. Ele voltou em 1854, e em 31 de março foi assinado o Tratado de Kanagawa, que abriu os portos de Shimoda e Hakodate. Em 1858 vieram tratados comerciais com Estados Unidos, Países Baixos, Rússia, Reino Unido e França. A crise que se seguiu levou à Restauração Meiji.

Onde ver hoje

  • Dejima (Nagasaki): o entreposto vem sendo reconstruído desde 1996, com casas de comerciantes, armazéns e a ponte refeita em 2017.
  • Museu Siebold (Nagasaki), no local da casa e escola de Siebold, em Narutaki.
  • Ruínas do castelo de Hara (Minamishimabara): Patrimônio Mundial desde 2018 como parte dos "Sítios Cristãos Ocultos de Nagasaki e Amakusa".
  • Shimoda (Shizuoka): Ryosen-ji, templo onde foram assinados acordos complementares ao Tratado de Kanagawa em 1854.

Perguntas frequentes

O Japão ficou totalmente isolado durante o sakoku?

Não. O comércio com os holandeses, a China, a Coreia, Ryukyu e os ainu continuou, mas controlado pelo xogunato. O que foi proibido foi o cristianismo, a vinda de portugueses e espanhóis e as viagens de japoneses ao exterior.

Quando acabou o sakoku?

O marco é o Tratado de Kanagawa, de 31 de março de 1854, assinado com os Estados Unidos após a pressão do comodoro Perry. A abertura comercial completa veio com os tratados de 1858.

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: História do Japão