Restauração Meiji: a revolução que modernizou o Japão
A Restauração Meiji (明治維新, Meiji Ishin) foi a revolução política que, em 1868, derrubou o xogunato Tokugawa e devolveu formalmente o poder ao imperador Meiji. Em cerca de 40 anos, o Japão aboliu o feudalismo e a classe samurai, construiu ferrovias e fábricas, adotou uma constituição e um exército moderno e derrotou a China (1895) e a Rússia (1905), tornando-se a primeira potência industrial não ocidental.
- Data
- 3 de janeiro de 1868
- Era Meiji
- 1868 a 1912
- Imperador
- Mutsuhito (Meiji)
- Nova capital
- Tóquio (antiga Edo)
- Constituição
- 1889
- Fim dos samurais
- 1876 (proibição das espadas)
Nesta página
Do Edo à Restauração
A chegada do comodoro Perry em 1853 e os "tratados desiguais" de 1858, que davam aos estrangeiros tarifas fixas e extraterritorialidade, desmoralizaram o xogunato. O lema sonno joi (尊王攘夷, "venerar o imperador, expulsar os bárbaros") uniu samurais jovens dos domínios de Satsuma (atual Kagoshima) e Choshu (atual Yamaguchi). Depois de serem bombardeados por navios ocidentais (Kagoshima, 1863; Shimonoseki, 1864), esses domínios concluíram que precisavam primeiro aprender com o Ocidente. Em 1866 firmaram uma aliança secreta, mediada por Sakamoto Ryoma.
Em novembro de 1867 o xogum Tokugawa Yoshinobu devolveu a autoridade ao imperador (taisei hokan). Em 3 de janeiro de 1868 uma proclamação imperial aboliu o xogunato. Os Tokugawa resistiram, e começou a Guerra Boshin (1868–1869):
- Toba-Fushimi (janeiro de 1868): vitória das forças imperiais perto de Quioto.
- Rendição de Edo (maio de 1868): negociada por Saigo Takamori e Katsu Kaishu, sem combate na cidade.
- Aizu (1868): cerco do castelo de Wakamatsu; suicídio dos jovens do Byakkotai.
- Hakodate (1869): rendição dos últimos fiéis ao xogunato na fortaleza de Goryokaku, em Hakodate.
Capital e estrutura política
O imperador Mutsuhito, de 15 anos, tomou o nome de era Meiji ("governo iluminado"). Edo passou a se chamar Tóquio (東京, "capital do leste") em 1868, e o imperador se mudou para lá em 1869. O poder real ficou com uma oligarquia de ex-samurais de Satsuma, Choshu, Tosa e Hizen: Okubo Toshimichi, Kido Takayoshi, Ito Hirobumi, Yamagata Aritomo, entre outros.
Reformas principais
| Ano | Reforma |
|---|---|
| 1868 | Juramento da Carta, em cinco artigos |
| 1871 | Domínios feudais substituídos por províncias (haihan chiken), origem das atuais províncias; criação do iene |
| 1872 | Primeira ferrovia (Shinbashi–Yokohama); ensino primário obrigatório; calendário gregoriano (a partir de 1873) |
| 1873 | Serviço militar obrigatório; reforma do imposto sobre a terra |
| 1876 | Proibição de portar espadas; fim dos estipêndios dos samurais |
| 1885 | Gabinete ministerial; Ito Hirobumi primeiro primeiro-ministro |
| 1889 | Constituição do Império do Japão, de modelo prussiano |
| 1890 | Primeira Dieta (parlamento) eleita |
A Missão Iwakura (1871–1873) percorreu Estados Unidos e Europa por quase dois anos para estudar instituições ocidentais. O governo contratou milhares de especialistas estrangeiros (oyatoi) e criou fábricas-modelo, como a fiação de seda de Tomioka (1872), hoje Patrimônio Mundial.
O fim dos samurais
A abolição dos privilégios gerou revoltas. A maior foi a Rebelião de Satsuma (1877), liderada por Saigo Takamori, um dos heróis da Restauração, derrotada pelo novo exército de recrutas camponeses. Saigo morreu em Kagoshima em setembro de 1877. Sobre o fim da classe guerreira, veja samurais.
Expansão e guerras
O lema fukoku kyohei ("país rico, exército forte") orientou a política externa:
- Guerra Sino-Japonesa (1894–1895): vitória sobre a China Qing; o Japão recebeu Taiwan.
- Aliança Anglo-Japonesa (1902).
- Guerra Russo-Japonesa (1904–1905): a frota do almirante Togo destruiu a frota russa em Tsushima, em maio de 1905. Foi a primeira vitória de um país asiático sobre uma potência europeia na era moderna.
- Anexação da Coreia (1910).
Em 1911 o Japão recuperou a autonomia tarifária, completando a revisão dos tratados desiguais. Nessa mesma época, a pobreza no campo impulsionou a emigração: em 1908 o Kasato Maru levou os primeiros 781 imigrantes ao Brasil (veja imigração japonesa no Brasil).
Cultura e religião
O governo separou o budismo do xintoísmo em 1868 e promoveu o xintoísmo de Estado centrado no imperador. Houve destruição de templos budistas nos primeiros anos. A moda ocidental, a carne bovina (origem do sukiyaki) e a arquitetura de tijolos chegaram às cidades. O cristianismo voltou a ser tolerado em 1873. Natsume Soseki e Mori Ogai criaram a literatura moderna.
O imperador Meiji morreu em 30 de julho de 1912, encerrando a era. Seu filho iniciou o período Taisho.
Onde ver hoje
- Santuário Meiji (Tóquio): dedicado ao imperador e à imperatriz, inaugurado em 1920.
- Meiji Mura (Inuyama, Aichi): museu ao ar livre com mais de 60 edifícios da época, incluindo a fachada do Imperial Hotel de Frank Lloyd Wright.
- Goryokaku (Hakodate): fortaleza em forma de estrela da última batalha da Guerra Boshin.
- Estação de Tóquio: prédio de tijolos de 1914, restaurado em 2012.
- Kagoshima: estátua de Saigo Takamori e o Museu da Restauração Meiji.
Perguntas frequentes
Por que se chama Restauração Meiji?
Porque o poder foi "restaurado" ao imperador depois de quase sete séculos de governos militares. Meiji é o nome da era do imperador Mutsuhito, que reinou de 1868 a 1912.
O imperador Meiji governava de verdade?
Formalmente era soberano absoluto pela Constituição de 1889, mas na prática as decisões eram tomadas pelos oligarcas (genro) e pelos ministros. O imperador era sobretudo símbolo da unidade nacional.