Terremoto da Península de Noto (1º de janeiro de 2024)
O terremoto da Península de Noto (令和6年能登半島地震) atingiu a província de Ishikawa em 1º de janeiro de 2024, às 16h10, com magnitude 7,6 e shindo 7 em Wajima e Shika. Provocou o primeiro ōtsunami keihō (大津波警報, alerta de tsunami grande) desde 2011, um incêndio que destruiu o mercado matinal de Wajima e cerca de 230 mortes diretas; somadas as mortes relacionadas ao desastre reconhecidas depois, o total passou de 700.
- Data
- 1º de janeiro de 2024, 16h10
- Magnitude
- 7,6 (JMA)
- Shindo máximo
- 7 (Wajima e Shika)
- Alerta
- 大津波警報 (primeiro desde 2011)
- Mortes diretas
- cerca de 230
- Total com mortes relacionadas
- mais de 700 (2026)
- Soerguimento da costa
- até cerca de 4 m
Nesta página
Um terremoto anunciado
Desde dezembro de 2020 a ponta da península, em Suzu, vivia um enxame sísmico (群発地震) atribuído a fluidos subindo do subsolo: foram milhares de tremores, incluindo um de magnitude 6,5 e shindo 6+ em 5 de maio de 2023. O sismo de 2024 rompeu um sistema de falhas ativas no fundo do mar ao longo da costa norte da península, com cerca de 150 km de extensão. Foi o maior terremoto já registrado na região do Mar do Japão no Japão moderno.
O tremor chegou no feriado de Ano-Novo, quando muitas famílias estavam reunidas nas casas dos pais e avós, o que aumentou o número de vítimas. Em Kanazawa, a cerca de 100 km, o shindo foi 5+.
Tsunami e o soerguimento da costa
A JMA emitiu o 大津波警報 para a costa de Noto às 16h22, com previsão de 5 m, e 津波警報 para o restante do litoral do Mar do Japão, de Yamagata a Hyogo. Como o epicentro estava colado à costa, as primeiras ondas chegaram em poucos minutos a Suzu e Noto-cho. A maior altura de run-up medida foi de cerca de 11 m em Wajima; em Suzu, a água entrou cerca de 4 a 5 m acima do nível normal. O alerta grande foi rebaixado cerca de quatro horas depois, e todos os avisos foram retirados na manhã de 2 de janeiro. Mais sobre o sistema em alerta de tsunami no Japão.
Em compensação, parte da costa subiu: cerca de 85 km de litoral se elevaram, em alguns pontos em até 4 m, e a linha da praia avançou até 200 m mar adentro. Portos de pesca de Wajima ficaram secos, com barcos encalhados no fundo exposto, e o país ganhou cerca de 4,4 km² de terra nova.
Danos e vítimas
| Item | Dado |
|---|---|
| Mortes diretas | cerca de 230 |
| Mortes totais (com relacionadas) | mais de 700 (dados de 2026) |
| Casas danificadas | mais de 100 mil, em várias províncias |
| Incêndio de Wajima | cerca de 200 prédios e 4,8 hectares queimados |
| Pico de deslocados | mais de 30 mil em abrigos |
A maioria das mortes diretas foi por desabamento de casas de madeira antigas, comuns numa região onde mais de 40% da população tem 65 anos ou mais. O incêndio de Wajima, iniciado por volta das 17h, consumiu o mercado matinal (朝市), com cerca de 200 barracas e mais de mil anos de tradição, porque os bombeiros não tinham água nem acesso pelas ruas bloqueadas. Em Wajima, um prédio de sete andares tombou inteiro de lado.
As estradas da península, cercada de mar em três lados, ficaram cortadas por centenas de deslizamentos, e povoados ficaram isolados por dias. Água encanada levou meses para voltar em partes de Wajima e Suzu. Em 2 de janeiro, um avião da Guarda Costeira que levaria ajuda a Noto colidiu com um Airbus da JAL na pista de Haneda; os 379 ocupantes do Airbus escaparam, mas cinco dos seis tripulantes do avião da Guarda Costeira morreram.
O número de mortes relacionadas ao desastre (災害関連死), por frio, doenças e estresse nos abrigos, continuou subindo ao longo de 2024 e 2025 e ultrapassou o de mortes diretas. Em 21 de setembro de 2024, chuvas torrenciais atingiram a mesma área, causaram novas mortes e destruíram casas provisórias recém-construídas.
Reconstrução e turismo
O artesanato de laca de Wajima (輪島塗) perdeu oficinas e estoques, e os comerciantes do mercado matinal passaram a vender em feiras temporárias fora da cidade, como em Kanazawa. A estrada Noto Satoyama Kaido e a ferrovia Noto foram reabertas por etapas em 2024. A população de Suzu e Wajima, que já encolhia, caiu mais rápido depois do sismo.
Visitar Kanazawa e o sul da província nunca foi problema; para o norte da península, informe-se no site da província de Ishikawa antes de ir. Outros sismos recentes estão em terremotos no Japão, e a comparação com outro tremor em área de casas antigas está em terremoto de Kobe.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas morreram no terremoto de Noto?
Cerca de 230 pessoas morreram diretamente pelo tremor, pelo tsunami e pelo incêndio. Contando as mortes relacionadas ao desastre reconhecidas depois, o total passou de 700 até 2026, quase todas em Ishikawa.
Houve tsunami no terremoto de Noto?
Sim. Foi emitido o 大津波警報, o nível máximo, pela primeira vez desde 2011. As ondas atingiram Suzu, Noto-cho e Wajima poucos minutos após o tremor, com run-up de até cerca de 11 m, mas a maior parte das mortes foi causada pelo desabamento de casas.
Por que o chão subiu na costa de Noto?
O terremoto foi de falha reversa: o bloco da península foi empurrado para cima sobre o fundo do mar. Em alguns pontos de Wajima o solo subiu cerca de 4 m, deixando portos sem água e criando novas praias.