As invasões mongóis do Japão e o "vento divino"
As invasões mongóis do Japão foram duas expedições navais enviadas por Kublai Khan, imperador mongol da China (dinastia Yuan), contra Kyushu, em 1274 e 1281. Nas duas, os samurais do xogunato de Kamakura resistiram nas praias da baía de Hakata, na atual Fukuoka, e tempestades destruíram grande parte das frotas invasoras. Os japoneses chamaram esses ventos de kamikaze (神風), "vento divino".
- Invasores
- Império Mongol (dinastia Yuan) e Goryeo (Coreia)
- Primeira invasão
- novembro de 1274
- Segunda invasão
- junho a agosto de 1281
- Imperador mongol
- Kublai Khan
- Regente japonês
- Hojo Tokimune
- Local das batalhas
- baía de Hakata (Fukuoka) e ilha de Takashima
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Antecedentes
Em 1260 Kublai Khan, neto de Gengis Khan, tornou-se Grande Khan; em 1271 fundou a dinastia Yuan na China e já dominava o reino coreano de Goryeo. A partir de 1268 enviou cartas exigindo que o "rei do Japão" estabelecesse relações, em termos de vassalagem. A corte de Quioto queria negociar, mas o xogunato, liderado pelo jovem regente Hojo Tokimune, de 17 anos, recusou-se a responder e mandou os gokenin de Kyushu se prepararem. Mais sobre o regime em período Kamakura.
Primeira invasão: Bun'ei (1274)
| Dado | 1274 (Bun'ei) | 1281 (Koan) |
|---|---|---|
| Força invasora | cerca de 900 navios e 25 a 40 mil homens | cerca de 4.400 navios e 140 mil homens (estimativas tradicionais) |
| Origem | Coreia | Coreia (Frota do Leste) e sul da China (Frota do Sul) |
| Alvos | Tsushima, Iki, baía de Hakata | Tsushima, Iki, Hakata, Takashima |
| Duração | Cerca de uma semana na costa | Cerca de dois meses |
Em outubro e novembro de 1274, a frota partiu de Masan, na Coreia, massacrou os defensores de Tsushima e Iki e desembarcou na baía de Hakata. Os samurais, habituados a duelos individuais e ao arco a cavalo, enfrentaram formações cerradas, flechas envenenadas e bombas explosivas de ferro e cerâmica (tetsuhau). Após um dia de combate, os invasores voltaram aos navios. Na retirada, uma tempestade afundou parte da frota. Os historiadores discutem se foi um tufão, já fora da estação, ou simplesmente uma retirada planejada.
Entre as invasões
O xogunato executou os enviados mongóis em 1275 e 1279. Mandou construir ao longo de cerca de 20 km da baía de Hakata uma muralha de pedra (Genko borui, 元寇防塁), com 2 a 3 metros de altura, concluída em 1276–1277. Os gokenin de todo Kyushu se revezavam na guarda.
Segunda invasão: Koan (1281)
Em 1279 a Yuan conquistou a dinastia Song do Sul e incorporou sua marinha. A Frota do Leste, da Coreia, chegou primeiro, em junho de 1281, mas não conseguiu desembarcar em Hakata por causa da muralha e de ataques noturnos de pequenos barcos japoneses aos navios. Em julho juntou-se à enorme Frota do Sul, vinda da China, perto da ilha de Takashima, na baía de Imari. Em meados de agosto de 1281 (1º dia do 7º mês intercalar no calendário japonês), um tufão destruiu a maior parte dos navios ancorados. Os soldados que ficaram em terra foram mortos ou escravizados. Muitos navios da Frota do Sul eram embarcações fluviais de fundo chato, pouco adequadas ao mar aberto, o que agravou o desastre.
Desde 1980, arqueólogos subaquáticos encontraram ao redor de Takashima âncoras, armas e restos de navios. Em 2011 e 2015 foram localizados cascos de navios mongóis, e a área foi declarada sítio histórico nacional em 2012, o primeiro sítio submarino do Japão.
Consequências
- Crise do xogunato: como a guerra foi defensiva, não havia terras para recompensar os guerreiros. Muitos se endividaram, e o decreto de perdão de dívidas de 1297 não resolveu. A insatisfação contribuiu para a queda de Kamakura em 1333 — veja xogunato.
- Prestígio religioso: templos e santuários atribuíram a vitória às suas orações e pediram recompensas. Nasceu a crença de que o Japão era protegido pelos deuses, o "país dos deuses" (shinkoku).
- **Legado do termo kamikaze**: na Segunda Guerra Mundial, o nome foi dado aos pilotos suicidas — veja Japão na Segunda Guerra.
Kublai planejou uma terceira invasão, mas a cancelou em 1286 por causa de revoltas e outras guerras. O tufão como "salvador" do país continua presente no imaginário japonês, num arquipélago acostumado a eles — veja tufões no Japão.
Onde ver hoje
- Muralha de Genko (Fukuoka): trechos escavados e preservados em Ikinomatsubara, Imazu e Nishijin, perto da Universidade Seinan Gakuin.
- Museu Genko (Higashi-koen, Fukuoka): pinturas e armas, junto à estátua de Nichiren.
- Takashima (Matsuura, província de Nagasaki): museu com achados submarinos.
- Moko Shurai Ekotoba: rolos ilustrados encomendados pelo samurai Takezaki Suenaga, que lutou nas duas invasões, guardados no Museu das Coleções Imperiais, em Tóquio.
Perguntas frequentes
Os mongóis invadiram o Japão?
Tentaram duas vezes, em 1274 e 1281. Chegaram a desembarcar em Tsushima, Iki e na baía de Hakata, mas não conseguiram avançar e suas frotas foram destruídas por tempestades.
O que significa kamikaze?
Kamikaze (神風) significa "vento divino". Era o nome dado aos tufões que destruíram as frotas mongóis, interpretados como proteção dos deuses ao Japão. Em 1944 o termo foi usado para as unidades de ataque suicida da Segunda Guerra.