Brasileiros no futebol japonês: naturalizados, craques e técnicos

O Brasil é o país que mais exportou jogadores e técnicos para o futebol japonês. Quatro brasileiros naturalizados defenderam a seleção do Japão em grandes torneios: Ruy Ramos, Wagner Lopes, Alessandro Santos (Alex) e Marcus Túlio Tanaka. Na J-League, brasileiros ganharam o prêmio de melhor jogador do campeonato dez vezes entre 1993 e 2025, e técnicos como Zico, Toninho Cerezo e Oswaldo de Oliveira construíram a dinastia do Kashima Antlers.

Naturalizados na seleção
Ruy Ramos, Wagner Lopes, Alex Santos, Túlio Tanaka
MVPs brasileiros da J1
10 (1993-2025)
Técnico mais vitorioso
Oswaldo de Oliveira (3 títulos seguidos)
Pioneiro
Nelson Yoshimura (no Japão desde 1967)
Nesta página
  1. Os naturalizados que jogaram pela seleção japonesa
  2. Brasileiros eleitos melhor jogador da J1
  3. Técnicos brasileiros campeões
  4. O caminho inverso: Kazu no Brasil
  5. Perguntas frequentes

Os naturalizados que jogaram pela seleção japonesa

JogadorOrigemNaturalizaçãoDestaque pela seleção
Ruy RamosMendes (RJ)1989Campeão da Copa da Ásia de 1992
Wagner LopesFranca (SP)1997Jogou a Copa de 1998
Alessandro Santos (Alex)Maringá (PR)2001Jogou as Copas de 2002 e 2006
Marcus Túlio TanakaPalmeira d'Oeste (SP)2003Titular em todos os jogos da Copa de 2010

Ruy Ramos

Ramos chegou ao Japão em 1977, aos 20 anos, para jogar no Yomiuri Club, de Tóquio, que depois virou Verdy Kawasaki. Meia habilidoso, de bigode e cabelo comprido, ajudou o clube a ganhar a liga amadora e as duas primeiras edições da J-League (1993 e 1994). Naturalizou-se em 1989, ganhou a Copa da Ásia de 1992 e estava em campo na "agonia de Doha", em outubro de 1993, quando o empate com o Iraque nos acréscimos tirou o Japão da Copa de 1994.

Wagner Lopes

Atacante nascido em Franca (SP) e revelado pelo São Paulo, chegou ao Japão em 1987 para jogar no Nissan Motors, antecessor do Yokohama F. Marinos. Naturalizado em setembro de 1997, entrou na reta final das eliminatórias e jogou as três partidas da Copa de 1998, a primeira do Japão, com assistência para o gol histórico de Masashi Nakayama contra a Jamaica. Depois de aposentado, virou técnico de clubes brasileiros como Goiás, Atlético Goianiense e Bragantino, e também do Albirex Niigata, em 2017.

Alex

Alessandro dos Santos foi para o Japão aos 16 anos com uma bolsa de estudos no colégio Meitoku Gijuku, em Kochi. Profissionalizou-se no Shimizu S-Pulse, foi eleito o melhor jogador da J-League em 1999 e se naturalizou em 2001. Lateral e meia-esquerda, jogou as Copas de 2002 e 2006 e deu o passe para o gol de Keiji Tamada contra o Brasil, em Dortmund (veja Japão na Copa de 2006).

Túlio Tanaka

Filho de pai nikkei e mãe brasileira de origem italiana, Túlio foi para o Japão aos 15 anos e estudou no colégio Shibuya Makuhari, em Chiba. Zagueiro forte no jogo aéreo, foi peça do Urawa Red Diamonds campeão japonês em 2006, ano em que foi eleito o melhor jogador da liga, e campeão asiático em 2007; depois ganhou a J1 de 2010 pelo Nagoya Grampus. Naturalizado em 2003, formou dupla com Yuji Nakazawa na campanha que levou o Japão às oitavas da Copa de 2010.

Brasileiros eleitos melhor jogador da J1

AnoJogadorClube
1994PereiraVerdy Kawasaki
1996JorginhoKashima Antlers
1997DungaJúbilo Iwata
1999AlexShimizu S-Pulse
2003EmersonUrawa Red Diamonds
2005AraújoGamba Osaka
2007Robson PonteUrawa Red Diamonds
2008MarquinhosKashima Antlers
2011Leandro DominguesKashiwa Reysol
2021Leandro DamiãoKawasaki Frontale

Dunga, capitão do Brasil tetracampeão em 1994, jogou no Júbilo Iwata de 1995 a 1998 e ficou famoso pelas broncas em companheiros japoneses. Leonardo e Bismarck também marcaram época no Kashima nos anos 1990.

Técnicos brasileiros campeões

  • Toninho Cerezo levou o Kashima aos títulos japoneses de 2000 e 2001; em 2000, o clube ganhou também a Copa do Imperador e a Copa da Liga.
  • Oswaldo de Oliveira conquistou três títulos seguidos da J1 com o Kashima, em 2007, 2008 e 2009, feito inédito na liga.
  • Nelsinho Baptista foi campeão em 2011 com o Kashiwa Reysol, recém-promovido da segunda divisão.
  • Zico, além de jogador e dirigente do Kashima, foi técnico da seleção de 2002 a 2006 (veja Zico no Japão).

O caminho inverso: Kazu no Brasil

O movimento também aconteceu ao contrário. Kazuyoshi Miura, o Kazu, foi sozinho para o Brasil em 1982, aos 15 anos, e se profissionalizou no Santos em 1986, passando ainda por Palmeiras, Coritiba e outros clubes antes de voltar ao Japão em 1990. Virou o primeiro grande ídolo da J-League. Em 2026, aos 59 anos, ainda estava registrado como jogador do Fukushima United, da J3, emprestado pelo Yokohama FC.

Antes de todos eles, o nikkei Nelson Yoshimura (吉村大志郎, Daishiro Yoshimura), nascido em São Paulo em 1947, foi para o Japão em 1967 para jogar no Yanmar Diesel, atual Cerezo Osaka, e é considerado o primeiro jogador brasileiro do futebol japonês. Naturalizado em 1970, fez 46 jogos pela seleção até 1976. A ligação entre os dois países no futebol acompanha a da comunidade nikkei (veja brasileiros no Japão) e aparece também nos confrontos diretos, em Brasil x Japão.

Perguntas frequentes

Quais brasileiros jogaram pela seleção japonesa?

Os mais conhecidos são Nelson Yoshimura (anos 1970), Ruy Ramos (Copa da Ásia de 1992), Wagner Lopes (Copa de 1998), Alessandro Santos, o Alex (Copas de 2002 e 2006), e Marcus Túlio Tanaka (Copa de 2010). Todos se naturalizaram japoneses.

Qual brasileiro jogou a Copa do Mundo pelo Japão?

Três: Wagner Lopes em 1998, Alex em 2002 e 2006 e Túlio Tanaka em 2010.

Por que tantos brasileiros jogam no Japão?

A J-League recrutou brasileiros desde sua criação, em 1993, pela qualidade técnica e pelo exemplo de Zico no Kashima. A presença de uma grande comunidade brasileira e nikkei no Japão também facilitou a adaptação.

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: Futebol e seleção japonesa