Tecnologia e robôs no Japão: das invenções clássicas aos chips

O Japão é um dos centros mundiais de tecnologia: fabrica cerca de 45% dos robôs industriais do planeta, segundo a Federação Internacional de Robótica, criou produtos como o Walkman, o QR code e o lámen instantâneo, e em 2024 tornou-se o quinto país a pousar suavemente na Lua. Ao mesmo tempo, convive com aparelhos de fax e carimbos pessoais (hanko) em escritórios e repartições, um contraste que o próprio governo tenta reduzir.

Robôs industriais
cerca de 45% da produção mundial
Supercomputador
Fugaku (1º do mundo 2020–2021)
Pouso lunar
SLIM em 20 de janeiro de 2024
Nobel recentes
LED azul (2014) e bateria de lítio (2019)
Nesta página
  1. Robôs: da fábrica à sala de casa
  2. Invenções japonesas do dia a dia
  3. Ciência de ponta
  4. Chips: a volta dos semicondutores
  5. O paradoxo analógico
  6. Perguntas frequentes

Robôs: da fábrica à sala de casa

Os robôs industriais japoneses estão em linhas de montagem do mundo todo, incluindo fábricas de carros no Brasil. As líderes são Fanuc, aos pés do Monte Fuji, Yaskawa Electric, de Kitakyushu, Kawasaki Heavy Industries e Nachi. A Toyota popularizou nos anos 1970 o "sistema Toyota de produção", com o kaizen (改善, melhoria contínua) e o just-in-time, copiado no mundo inteiro.

Os robôs humanoides e de companhia viraram símbolo do país:

RobôEmpresaAnoO que fazia
ASIMOHonda2000Humanoide que andava, corria e subia escadas; aposentado em 2022
AIBOSony1999 (nova versão em 2018)Cão-robô de estimação
ParoAISTanos 2000Foca-robô terapêutica usada em casas de repouso
PepperSoftBank2014Humanoide de atendimento em lojas e bancos

Com a população envelhecendo, a robótica avança agora em cuidados com idosos, logística e restaurantes, onde robôs garçons e esteiras de sushi já são comuns.

Invenções japonesas do dia a dia

  • Lámen instantâneo (1958): Momofuku Andō, da Nissin, lançou o Chicken Ramen; o Cup Noodle veio em 1971. Mais em ramen.
  • Walkman (1979): o tocador portátil da Sony mudou o jeito de ouvir música.
  • Washlet (1980): o vaso sanitário com ducha da TOTO, hoje presente em cerca de 80% das casas japonesas.
  • CD (1982): desenvolvido em parceria pela Sony e pela holandesa Philips.
  • QR code (1994): criado por Masahiro Hara, da Denso Wave, para rastrear autopeças.
  • Emoji (1999): Shigetaka Kurita desenhou 176 ícones para a operadora NTT Docomo; a palavra vem de 絵 (e, imagem) e 文字 (moji, letra).
  • Videogames: Nintendo, Sony PlayStation e Sega, tema de videogames japoneses.

Ciência de ponta

Dois prêmios Nobel recentes premiaram tecnologias que estão no bolso de todo mundo: o de Física de 2014, para Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura, pelo LED azul, base das lâmpadas LED e telas; e o de Química de 2019, dividido por Akira Yoshino, da Asahi Kasei, pela bateria de íon-lítio.

O supercomputador Fugaku, do instituto RIKEN e da Fujitsu, em Kobe, foi o mais rápido do mundo de junho de 2020 a novembro de 2021 e ajudou a simular a dispersão de gotículas na pandemia. O Shinkansen e seu sistema de alerta sísmico também são referência mundial.

Espaço

A agência espacial JAXA trouxe à Terra amostras do asteroide Itokawa (sonda Hayabusa, 2010) e do asteroide Ryugu (Hayabusa2, 2020). Em 20 de janeiro de 2024, a sonda SLIM pousou na Lua com precisão de menos de 100 metros do alvo, fazendo do Japão o quinto país a conseguir um pouso suave lunar. No mês seguinte, o novo foguete H3 teve seu primeiro lançamento bem-sucedido.

Chips: a volta dos semicondutores

Nos anos 1980, empresas japonesas como NEC, Toshiba e Hitachi dominavam o mercado mundial de memórias. Hoje o país é forte em materiais e máquinas para fabricar chips, com Tokyo Electron e Shin-Etsu, e tenta retomar a produção. Em fevereiro de 2024, a TSMC inaugurou uma fábrica em Kikuyo, na província de Kumamoto, e a Rapidus, apoiada pelo governo, constrói em Chitose, na província de Hokkaido, uma fábrica para chips de 2 nanômetros, com produção em massa prevista para 2027.

O paradoxo analógico

Em 2020, durante a pandemia, ficou evidente que muitos dados de saúde ainda eram enviados por fax. Em 2021 o governo criou a Agência Digital para reduzir a dependência do papel e do hanko, o carimbo com o nome usado no lugar da assinatura. O cartão de identidade digital My Number avançou, mas a transição é lenta. Para ver de perto o lado eletrônico e pop do país, o destino clássico é Akihabara, em Tóquio.

Perguntas frequentes

O que o Japão inventou?

Entre as invenções japonesas mais conhecidas estão o lámen instantâneo (1958), o trem-bala (1964), o Walkman (1979), o QR code (1994), o emoji (1999) e o LED azul eficiente, premiado com o Nobel de 2014.

Por que o Japão tem tantos robôs?

Pela força da indústria automobilística e eletrônica desde os anos 1970 e pela escassez de mão de obra causada pelo envelhecimento da população. O país produz cerca de 45% dos robôs industriais do mundo.

O Japão ainda usa fax?

Sim, em parte de escritórios, clínicas e repartições, sobretudo entre pequenas empresas. O governo criou a Agência Digital em 2021 para acelerar a substituição do papel e do carimbo hanko.

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: O Japão: dados e sociedade