Colônias japonesas no Brasil: onde os imigrantes se fixaram

As colônias japonesas (shokuminchi ou, no português da comunidade, simplesmente "colônias") foram os núcleos agrícolas fundados por imigrantes a partir de 1913, depois que muitos deixaram as fazendas de café. As mais conhecidas são Registro e o Vale do Ribeira (1913), Aliança (1924), Bastos (1928) e Tomé-Açu (1929), além de Assaí e do norte do Paraná nos anos 1930. Várias ainda mantêm associação japonesa (kaikan), escola de língua, campo de gateball e festas tradicionais.

Nesta página
  1. Das fazendas às terras próprias
  2. Principais colônias
  3. As colônias hoje
  4. Perguntas frequentes

Das fazendas às terras próprias

Os primeiros imigrantes, chegados no Kasato Maru em 1908, eram colonos assalariados de fazendas de café. O sonho de terra própria levou à criação de núcleos organizados por empresas de colonização japonesas, que compravam grandes glebas, dividiam em lotes e vendiam a prazo aos imigrantes. As principais foram a Kaigai Kōgyō Kabushiki Kaisha (KKKK) e, a partir de 1929, a Bratac (Sociedade Colonizadora do Brasil), ligada às associações de emigração das províncias japonesas. A história completa está em imigração japonesa no Brasil.

Principais colônias

ColôniaEstadoFundaçãoDestaque
Registro e IguapeSP1913primeira colonização planejada; chá preto e arroz
Colônia Hirano (Cafelândia)SP1915fundada pelo intérprete Umpei Hirano; marcada por surto de malária
Aliança (Mirandópolis)SP1924criada pela associação de emigração de Nagano
BastosSP1928seda e depois ovos; a "capital do ovo"
Tomé-AçuPA1929pimenta-do-reino e sistemas agroflorestais
AssaíPR1932algodão e café; nome inspirado em asahi (旭, sol nascente)
Norte do Paraná (Londrina, Maringá, Uraí)PRanos 1930café em terras da Companhia de Terras Norte do Paraná
Mogi das Cruzes, Suzano e cinturão verdeSPanos 1920–1930hortaliças e frutas para a capital
Campo GrandeMSanos 1910–1920okinawanos vindos da ferrovia Noroeste

Registro e o Vale do Ribeira

Registro foi a primeira colônia planejada, iniciada em 1913 pela empresa que depois se tornaria a KKKK. O prédio do antigo armazém da companhia, à beira do rio Ribeira de Iguape, é hoje um centro cultural, o Memorial da Imigração Japonesa de Registro. A cidade ficou conhecida pelo chá: por décadas, as fábricas locais produziram a maior parte do chá preto do Brasil. Registro mantém o tōrō nagashi, festival de lanternas flutuantes no rio, ligado ao Obon.

Bastos, a capital do ovo

Fundada em 1928 pelas cooperativas de emigração das províncias japonesas, que logo depois criaram a Bratac, Bastos começou com café e bicho-da-seda e virou, a partir dos anos 1950, um dos maiores polos de produção de ovos do país. A Festa do Ovo é o evento anual da cidade, que ainda tem forte presença nikkei.

Tomé-Açu, na Amazônia

Os primeiros colonos chegaram ao Pará em 1929. Depois de anos difíceis com malária e cultivos que fracassaram, mudas de pimenta-do-reino trazidas de Cingapura em 1933 transformaram a colônia, que nos anos 1950 e 1960 tornou o Brasil um grande exportador. Hoje Tomé-Açu é referência internacional em sistemas agroflorestais, que combinam cacau, açaí, pimenta e árvores nativas.

Norte do Paraná

O Paraná tem a segunda maior comunidade nikkei do Brasil. Assaí, Uraí, Londrina e Maringá receberam milhares de famílias nos anos 1930 e no pós-guerra. Maringá tem o Parque do Japão, e Londrina e Maringá estiveram no roteiro da princesa Kako na visita de 2025, descrita em relações Brasil-Japão.

Mogi das Cruzes e o cinturão verde

Mogi das Cruzes, Suzano, Biritiba Mirim e Ibiúna formam o cinturão verde que abastece a Grande São Paulo de verduras, cogumelos, caqui e flores, em grande parte graças a produtores nikkeis. Mogi realiza todo ano o Akimatsuri, festa japonesa de outono.

Campo Grande e os okinawanos

Imigrantes de Okinawa que trabalharam na construção da ferrovia Noroeste do Brasil se fixaram em Campo Grande (MS), formando uma das maiores comunidades okinawanas do país. A herança mais visível é o sobá da Feira Central, contado em comida japonesa no Brasil.

As colônias hoje

A maioria das colônias perdeu população a partir dos anos 1960, quando os filhos foram estudar e trabalhar nas cidades, e depois de 1990, com a ida de muitos jovens ao Japão como dekasseguis. Ainda assim, as associações mantêm undōkai (gincanas esportivas), bon odori, escolas de japonês e competições de gateball, esporte japonês muito praticado pelos idosos nikkeis. Muitas participam com barracas do Festival do Japão, em São Paulo.

Perguntas frequentes

Qual foi a primeira colônia japonesa no Brasil?

A primeira colônia planejada foi a do Vale do Ribeira, em Registro e Iguape (SP), iniciada em 1913. Antes disso, os imigrantes trabalhavam como colonos em fazendas de café.

Onde há mais descendentes de japoneses no Brasil?

No estado de São Paulo, sobretudo na capital, na região de Mogi das Cruzes e no oeste paulista, seguido pelo Paraná, com destaque para Londrina, Maringá e Assaí.

O que significa colônia japonesa?

É o nome dado aos núcleos agrícolas fundados por imigrantes japoneses e, por extensão, à própria comunidade nipo-brasileira, que muitos chamam de "a colônia".

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: Brasil e Japão