Acidente nuclear de Fukushima (2011): causas, consequências e situação atual
O acidente nuclear de Fukushima foi a fusão dos núcleos de três reatores da usina Fukushima Daiichi, da empresa TEPCO, depois que o tsunami de 11 de março de 2011 inundou a usina e cortou toda a energia de refrigeração. É, ao lado de Chernobyl (1986), o único acidente classificado no nível 7, o máximo da escala internacional INES. Cerca de 165 mil pessoas da província de Fukushima chegaram a viver fora de casa.
- Data
- 11 a 15 de março de 2011
- Usina
- Fukushima Daiichi (TEPCO)
- Reatores com fusão
- 1, 2 e 3
- Escala INES
- 7 (máximo)
- Pico de deslocados na província
- cerca de 165 mil (2012)
- Fim previsto do desmonte
- 2041 a 2051
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Como aconteceu
Quando o terremoto de 9,0 atingiu a costa às 14h46, os reatores 1, 2 e 3, que estavam em operação, desligaram automaticamente; os reatores 4, 5 e 6 estavam parados para manutenção. O tremor derrubou as linhas de energia externas, e os geradores a diesel entraram em funcionamento. Cerca de 50 minutos depois, o tsunami de 13 a 15 m passou por cima do quebra-mar, projetado para ondas de cerca de 5,7 m, e inundou os geradores e os painéis elétricos, instalados no subsolo.
Sem energia, as bombas pararam e o combustível superaqueceu. Nos dias seguintes:
| Data | Evento |
|---|---|
| 11/03 | Perda total de energia; ordem de evacuação num raio de 3 km, depois 10 km |
| 12/03 | Explosão de hidrogênio no prédio do reator 1; evacuação ampliada para 20 km |
| 14/03 | Explosão de hidrogênio no reator 3 |
| 15/03 | Explosão no prédio do reator 4 e danos no reator 2, a maior liberação de radioatividade; moradores entre 20 e 30 km orientados a ficar em casa |
| 12/04 | Governo eleva a classificação para o nível 7 da INES |
Os núcleos dos reatores 1, 2 e 3 derreteram e perfuraram parte dos vasos de pressão. A usina vizinha Fukushima Daini, 12 km ao sul, também foi atingida pela onda, mas manteve uma linha externa de energia e conseguiu resfriar seus quatro reatores.
Evacuação e contaminação
O vento de 15 de março levou a nuvem radioativa para noroeste, o que obrigou a evacuar até cidades fora do raio de 20 km, como Iitate, a cerca de 40 km. No pico, em maio de 2012, cerca de 165 mil moradores da província estavam deslocados. As cidades de Okuma e Futaba, onde fica a usina, ficaram fechadas por mais de dez anos; Futaba só recebeu moradores de volta a partir de agosto de 2022.
As mortes por radiação foram pouquíssimas: o governo reconheceu, em 2018, a morte de um funcionário por câncer de pulmão ligado à exposição. O impacto maior veio da própria evacuação: Fukushima registrou mais de 2.300 mortes relacionadas ao desastre (震災関連死), sobretudo de idosos transferidos de hospitais e asilos. O comitê científico da ONU (UNSCEAR) não espera aumento detectável de câncer pela radiação.
A situação atual
- Descontaminação: milhões de metros cúbicos de solo foram retirados e guardados numa instalação provisória em Okuma e Futaba. A lei prevê levar esse material para fora da província até 2045.
- Água tratada: a água usada para resfriar os destroços passa pelo sistema ALPS, que remove a maioria dos elementos radioativos, exceto o trítio. Desde 24 de agosto de 2023 ela é diluída e lançada ao mar por um túnel de 1 km, com trítio abaixo de 1.500 Bq/L, 1/40 do limite nacional. A China suspendeu a importação de pescados japoneses e só começou a retomá-la parcialmente em 2025.
- Detritos de combustível: estima-se que haja cerca de 880 toneladas nos três reatores. A primeira amostra, de apenas 0,7 g, foi retirada em novembro de 2024. O plano oficial é concluir o desmonte entre 2041 e 2051, prazo que muitos especialistas consideram otimista.
- Custo: o governo estima o custo total, incluindo indenizações, descontaminação e desmonte, em mais de 23 trilhões de ienes.
Impacto na política energética
Todos os 54 reatores do país foram desligados até 2012. Sob regras mais rígidas da Autoridade de Regulação Nuclear, criada em 2012, parte deles voltou a operar a partir de 2015. A energia nuclear, cerca de 30% da eletricidade antes de 2011, voltou a ganhar peso na estratégia oficial nos anos 2020, tema central para a economia do Japão, que importa quase todo o seu gás e petróleo.
Visitar a região
É possível visitar a costa de Fukushima com segurança. Em Futaba fica o Museu Memorial do Grande Terremoto do Leste do Japão e do Desastre Nuclear (東日本大震災・原子力災害伝承館), aberto em 2020. O J-Village, base dos trabalhadores da usina, foi o ponto de partida da tocha olímpica de Tóquio 2020, em março de 2021. A capital, Fukushima, e Aizu-Wakamatsu, a mais de 60 km da usina, nunca estiveram em zona de evacuação; veja província de Fukushima.
Perguntas frequentes
É seguro visitar Fukushima hoje?
Sim. A radiação na maior parte da província, incluindo a capital e Aizu, está em níveis comparáveis aos de outras cidades do mundo. Só pequenas áreas perto da usina continuam como zona de difícil retorno (帰還困難区域), com acesso controlado e sinalizado.
Quantas pessoas morreram no acidente de Fukushima?
A radiação causou uma morte reconhecida oficialmente. Já a evacuação contribuiu para mais de 2.300 mortes relacionadas ao desastre na província, principalmente de idosos e doentes.
O que é a água tratada lançada no mar?
É a água usada para resfriar o combustível derretido, filtrada pelo sistema ALPS. Ela ainda contém trítio, que não pode ser separado, e por isso é diluída com água do mar antes do lançamento, sob monitoramento da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).