Teatro nō: o drama clássico de máscaras do Japão
O nō (能, "habilidade, talento") é o teatro clássico japonês, criado no século 14, que combina dança lenta, canto, máscaras de madeira e um pequeno conjunto de flautas e tambores. É a forma teatral mais antiga do mundo ainda encenada continuamente com o mesmo repertório. Junto com a farsa kyōgen (狂言), forma o nōgaku (能楽), proclamado Patrimônio Imaterial da UNESCO em 2001.
- Escrita
- 能 (nō)
- Criadores
- Kan'ami (1333-1384) e Zeami (1363-1443)
- Patrono
- xogum Ashikaga Yoshimitsu
- Patrimônio UNESCO
- nōgaku (proclamado em 2001)
- Escolas de ator principal
- 5 (Kanze, Hōshō, Konparu, Kongō e Kita)
- Repertório ativo
- cerca de 250 peças
Nesta página
Kan'ami, Zeami e os xoguns
O nō nasceu de espetáculos populares de dança e mímica (sarugaku e dengaku) apresentados em templos e santuários. O ator Kan'ami (1333-1384) e seu filho Zeami Motokiyo (1363-1443) o transformaram em arte refinada depois que, em 1374, o jovem xogum Ashikaga Yoshimitsu assistiu a uma apresentação deles em Quioto e passou a patrociná-los.
Zeami escreveu dezenas de peças ainda encenadas e tratados como o Fūshikaden (風姿花伝), sobre a arte do ator. Conceitos centrais são o yūgen (幽玄), beleza sutil e misteriosa, e o hana (花), a "flor", o encanto que o ator desperta no público. No período Edo, o nō virou arte oficial da classe samurai, e daimyōs mantinham palcos e trupes próprias.
Como é uma peça
O protagonista é o shite (シテ), muitas vezes um fantasma, deus ou demônio que revive um momento de sua vida. O waki (ワキ), sem máscara, é geralmente um monge ou viajante que o encontra. Um coro de 6 a 10 cantores fica sentado à direita do palco, e os músicos (hayashi) — flauta nōkan, tambores kotsuzumi, ōtsuzumi e às vezes taiko — ficam ao fundo.
Muitas peças seguem a estrutura mugen-nō (nō de sonho): na primeira parte o viajante encontra um morador local; na segunda, o morador reaparece em sua verdadeira forma, o espírito de alguém do passado, e dança sua história. Os textos citam poesia clássica e o Heike Monogatari, e o tema budista do apego e da libertação está sempre presente — ver budismo no Japão.
Os cinco tipos de peça
| Categoria | Protagonista | Exemplo |
|---|---|---|
| Kami-mono (神物) | Divindades | Takasago |
| Shura-mono (修羅物) | Fantasmas de guerreiros | Atsumori |
| Katsura-mono (鬘物) | Mulheres | Izutsu, Matsukaze |
| Kyōjo-mono (狂女物) e outras | Loucura, temas variados | Sumidagawa, Dōjōji |
| Kiri-nō (切能) | Demônios e seres sobrenaturais | Tsuchigumo |
Um programa completo tradicional alternava uma peça de cada tipo com kyōgen no meio, durando o dia inteiro. Hoje, uma apresentação típica tem uma ou duas peças de nō e um kyōgen, com duração total de duas a três horas.
Máscaras e palco
As máscaras (nōmen, 能面) de cipreste japonês são usadas só pelo shite e por alguns personagens. Com leve inclinação para cima (terasu) ou para baixo (kumorasu), uma máscara "neutra" parece sorrir ou chorar. Tipos famosos: ko-omote (moça jovem), hannya (mulher transformada em demônio pelo ciúme, com chifres) e okina (velho sagrado).
O palco é de cipreste, com cerca de 6 metros de lado, coberto por um telhado próprio mesmo dentro de teatros modernos. Uma ponte lateral, o hashigakari (橋掛かり), liga o palco ao camarim, e a parede do fundo (kagami-ita) tem sempre um pinheiro pintado. Vasos de cerâmica sob o piso ajudam a ressoar as batidas dos pés.
Kyōgen: o contraponto cômico
O kyōgen é apresentado nos intervalos: peças curtas, faladas, sem máscara na maioria, sobre criados espertos, senhores tolos e monges trapaceiros. O casal de personagens Tarō Kaja e seu amo aparece em muitas delas. Atores famosos de kyōgen, como Nomura Mansai, também atuam no cinema e na televisão; Mansai protagonizou o filme Onmyōji (2001).
Onde assistir
- Teatro Nacional de Nō (Sendagaya, Tóquio), inaugurado em 1983, com legendas em inglês em telas individuais nas poltronas.
- Teatros das escolas: Kanze Nōgakudō (no Ginza Six, em Ginza) e Kongō Nōgakudō (Quioto).
- Takigi-nō (薪能): apresentações ao ar livre à luz de tochas, como no Santuário Heian, em Quioto, no início de junho, e no templo Kōfuku-ji, em Nara, em maio.
- Itsukushima (Miyajima): palco de nō sobre a água, com apresentações em festivais de primavera.
Ingressos custam em geral de 3.000 a 10.000 ienes, conforme o teatro e o assento (valores de 2025). As escolas de nō têm programação de apresentações regulares para associados e público.
Perguntas frequentes
O nō é difícil de entender?
O ritmo é lento e a linguagem é japonês clássico, incompreensível até para muitos japoneses. Por isso as legendas em inglês do Teatro Nacional, a leitura prévia do enredo e começar por peças com ação, como Tsuchigumo ou Dōjōji, ajudam muito.
Mulheres atuam no nō?
Tradicionalmente o nō era exclusivamente masculino. Desde 1948 mulheres podem se filiar às associações profissionais e, desde 2004, algumas foram reconhecidas como detentoras do bem cultural nōgaku, mas continuam minoria.
Qual a diferença entre nō e kabuki?
O nō é do século 14, minimalista, com máscaras, ligado à elite samurai e ao budismo. O kabuki, do século 17, é popular, colorido, com maquiagem e cenários elaborados. Várias peças de kabuki são adaptações de nō.