Grande Terremoto de Kanto (1923)

O Grande Terremoto de Kanto (関東大震災) atingiu Tóquio, Yokohama e toda a região de Kanto em 1º de setembro de 1923, às 11h58, com magnitude 7,9. É o terremoto mais mortal da história do Japão: cerca de 105 mil mortos e desaparecidos, cerca de 90% deles em incêndios que se espalharam porque o tremor ocorreu na hora do almoço, quando milhares de fogões a carvão estavam acesos.

Data
1º de setembro de 1923, 11h58
Magnitude
7,9
Mortos e desaparecidos
cerca de 105 mil
Mortes por incêndio
cerca de 90%
Casas queimadas
cerca de 210 mil
Nome japonês
関東大震災
Data lembrada como
Dia da Prevenção de Desastres (防災の日)
Nesta página
  1. O terremoto
  2. Os incêndios
  3. O massacre de coreanos
  4. A reconstrução de Tóquio
  5. A herança: o Dia da Prevenção de Desastres
  6. Perguntas frequentes

O terremoto

O epicentro ficava sob a Baía de Sagami, a sudoeste de Tóquio, na Fossa de Sagami, onde a placa das Filipinas mergulha sob o Japão. A ruptura se estendeu de Odawara à península de Boso. O tremor forte durou vários minutos e foi seguido por réplicas de magnitude 7 nas horas seguintes. Hoje se estima que a intensidade chegou ao equivalente a shindo 7 em partes de Kanagawa e do sul de Chiba.

A província de Kanagawa foi a mais sacudida: em Odawara e Yokohama a maior parte das casas desabou. Um tsunami de até 12 m atingiu Atami e a costa de Sagami, e um deslizamento arrastou um trem e a estação de Nebukawa, em Odawara, para o mar. Em Kamakura, o Grande Buda se deslocou sobre a base e vários templos desabaram.

Os incêndios

Em Tóquio, o desabamento matou relativamente pouco; o fogo foi o grande assassino. Mais de 130 focos começaram ao mesmo tempo, e ventos fortes ligados a um tufão que passava pelo Mar do Japão espalharam as chamas por dois dias, até a manhã de 3 de setembro. Cerca de 44% da área urbana de Tóquio queimou, incluindo os bairros de Nihonbashi, Asakusa e Honjo.

O episódio mais trágico aconteceu no Hifukusho-ato (被服廠跡), um terreno vazio de um antigo depósito do Exército em Honjo, no atual bairro de Sumida. Cerca de 40 mil pessoas se refugiaram ali com seus pertences; um redemoinho de fogo (火災旋風) varreu o local e matou cerca de 38 mil delas em poucos minutos. Hoje o lugar é o Parque Yokoamicho, com o Salão Memorial de Tóquio e o Museu do Terremoto.

ProvínciaMortos e desaparecidos (aprox.)
Tóquio70.000
Kanagawa33.000
Chiba1.300
Shizuoka e outrasmenos de 1.000
Totalcerca de 105.000

O massacre de coreanos

Nos dias seguintes espalharam-se boatos de que coreanos estariam envenenando poços e provocando incêndios. Milícias civis (自警団), com participação de policiais e soldados, mataram coreanos, chineses e também japoneses confundidos com estrangeiros. O número exato nunca foi apurado: estimativas variam de algumas centenas a mais de 6 mil vítimas. No mesmo período, militares mataram o anarquista Osugi Sakae e sua companheira Ito Noe (incidente Amakasu). O episódio é tema sensível até hoje e foi relembrado no centenário, em 2023.

A reconstrução de Tóquio

O ministro Goto Shinpei propôs um plano ambicioso de reconstrução, reduzido pelo parlamento por falta de verba. Mesmo assim, a cidade ganhou avenidas largas como a Showa-dori, parques como Sumida e Hamacho, pontes de aço sobre o rio Sumida e os primeiros prédios residenciais de concreto, os apartamentos Dojunkai. Muitas famílias se mudaram para o oeste, impulsionando bairros como Shinjuku e Shibuya. A primeira linha de metrô do Japão, entre Ueno e Asakusa, abriu em 1927.

O terremoto aconteceu no período Taisho e abalou a economia: a "crise dos títulos do terremoto" contribuiu para a crise financeira de 1927.

A herança: o Dia da Prevenção de Desastres

Desde 1960, o 1º de setembro é o Dia da Prevenção de Desastres (防災の日), com simulados em escolas, empresas e órgãos públicos em todo o país. O risco de repetição é real: um terremoto do tipo Kanto (magnitude 8) ocorre na Fossa de Sagami a cada 200 a 400 anos, e o governo estima em cerca de 70% a probabilidade de um terremoto de magnitude 7 diretamente sob a região metropolitana de Tóquio nos próximos 30 anos. O outro grande cenário é o megaterremoto de Nankai. Veja também terremotos no Japão e Yokohama.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas morreram no terremoto de Kanto de 1923?

Cerca de 105 mil mortos e desaparecidos, segundo a revisão de 2004 feita por sismólogos japoneses (105.385 pessoas). O número antes citado, de mais de 140 mil, contava pessoas duas vezes.

Por que o terremoto de 1923 matou tanto?

Pela combinação de hora e vento: às 11h58 as casas de madeira estavam com fogões acesos para o almoço, e ventos fortes espalharam o fogo por bairros densos. Cerca de nove em cada dez vítimas morreram queimadas ou asfixiadas.

Pode acontecer outro terremoto como o de Kanto?

Sim. Terremotos de magnitude 8 na Fossa de Sagami se repetem em intervalos de séculos (1703 e 1923), e o governo considera provável um terremoto de magnitude 7 sob Tóquio nas próximas décadas. Hoje, porém, construções resistentes ao fogo e a sismos reduzem muito o risco de uma tragédia da mesma escala.

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: Natureza, clima e terremotos